segunda-feira, 17 de novembro de 2025

Opção da esquerda III

 Para quando um discurso claro da esquerda?

O governo tem a incumbência da gestão do bem público, do bem comum: saúde, educação, habitação… Há muito tempo que deixou esse propósito. Registamos uma crescente evolução no sentido contrário, em que o estado está tão só, ao serviço de negociatas com o património público, cada vez mais descaradas, sem escrúpulos. É o capitalismo selvagem no seu apogeu.

A ESQUERDA NA RUA tem que ser clara e exigir:

        Gestão pública, não privada !!


Todos sabemos que metade ou mais do orçamento para o SNS vai para o privado! 

Quando é que vamos ter a ESQUERDA NA RUA a exigir o investimento necessário para fortalecer este SNS, criando as infraestruturas para que o SNS não esteja depende de privados? 

Para quando a ESQUERDA NA RUA a exigir o controle das análises clinicas (nacionalize-se)? Acabar com as analises clinicas privadas.

Para quando dotar o SNS de fabricas (nacionalize-se) para o material hospitalar corrente, como seringas, adesivos, tubos e demais?

A ESQUERDA NA RUA tem que ser clara e exigir:

        Gestão pública, não privada !!


O negocio selvagem do imobiliário levou-nos á situação em que estamos.

Para quando a ESQUERDA NA RUA a exigir o fim das agência imobiliárias livres para a especulação, deixando o turismo desenfreado tomar conta de tudo e de todo o património? Para quando a ESQUERDA NA RUA a exigir o controle do custo da habitação, devidamente regulado colocando o interesse público acima de todo o negócio especulativo?

A ESQUERDA NA RUA tem que ser clara e exigir:

        Gestão pública, não privada !!


Para quando a ESQUERDA NA RUA a exigir que não se gaste um euro num evento (web Summit) que somente promove negócios privados, tornando-se uma feira de venda de ilusões que todos vamos ficar ricos? 

A ESQUERDA NA RUA tem que ser clara e exigir:

        Gestão pública, não privada !!


Para quando a ESQUERDA NA RUA a exigir que o estado, o governo cumpra a tarefa que lhe está incumbida? O governo qualquer que seja tem que gerir o serviço público. Quando o entrega a privados, em PPP's e outros imaginativos processos, então não estão a fazer nada por lá.

A ESQUERDA NA RUA tem que ser clara e exigir:

        Gestão pública, não privada !!


Por mim irie juntar-me aos sindicatos na Greve Geral pela retirada na integra da alteração da lei laboral e por todas as outras razões.




domingo, 10 de agosto de 2025

No que nos tornámos...

No que nos tornámos em pleno ano 2025

Chegam à europa embarcações com migrantes desesperados por uma vida, por viveram com o mínimo de dignidade. São repatriados com uma desumanidade atroz. São os migrantes sujos que ninguém quer.

Chegaram também á costa portuguesa.

O governo com a hipocrisia costumeira, anuncia o repatriamento e assegura aos cidadãos portugueses de bem e limpinhos, que a nossa costa está segura. Todo o povo português fica tranquilo. Podemos vestir o vestido e o fato bonito e limpo, para ir á missa descansados.

O humanismo deixou de pertencer ao nosso dicionário. Passa a palavra proibida, descontextualizada e endereçada a uma minoria dita comunista.

Gostava de saber os nomes de cada um destes migrantes, gostava de fazer um apelo a empresas que os queiram empregar, gostava de lhes proporcionar uma oportunidade de vida. 

O medo que temos que venham depois aos magotes e nos roubem tudo, incluindo a missa de domingo… como isto é desumano. 

Como percebo melhor, que aceitemos de braços cruzados o genocídio em Gaza. O problema não é culpa do netanyahu, mas de todos nós que o aceitamos. Penso que se ele se candidata-se a primeiro-ministro de portugal, corria o risco de ganhar.

Se não nos tivéssemos esquecidos de partilhar, da humanidade que qualquer sociedade civilizada do ano de 2025 deve ter, se o egoísmo e a ganância fossem uma atitude criticada pela comunidade, em vez de apoiada, talvez percebêssemos que os migrantes sujinhos, pudessem andar mais limpinhos e mesmo conseguissem ir á missa ao domingo.

Tenho nojo desta igreja, tenho nojo desta esquerda... em 2025. Este silêncio português (bem típico de um povo acobardado) é devastador.





domingo, 20 de julho de 2025

A opção da esquerda II

 

A ad juntou-se á extrema direita. E então, onde está a surpresa? E o que é que a esquerda tem a ver com isso? A esquerda que se deixa da critica fácil e faça o seu trabalho.

No Livre, o Rui Tavares anunciou no seu discurso de avaliação dos resultados eleitorais que o partido ia voltar-se para o resto do pais e deixar de ser um partido predominantemente urbano. Então força, pelo menos que sigam o líder, já que não pretendem ouvir mais ninguém.

Deixem a critica fácil, toda a gente vê o obvio (aproximação da ad ao chega), não precisamos de nenhum partido para o anunciar, foquem-se no trabalho de ouvir as comunidades, as freguesias e concelhos por esse pais fora.

O BL que acorde e lute pelos seus propósitos. O PCP ainda é o único que consegue ser fiel aos seus desígnios e mantêm a sua postura e foco. O PS nem os seus méritos consegue defender, um desastre que lhe pode sair caro (esta política de deixar queimar um líder e depois aparecer como salvador, julgo que vai ser bem ao lado).

Esta maneira amorfa de estar na política, típica de militantes e membros estarem somente focados nos seus interesses pessoais, esperando oportunidade de conseguir lugares é angustiante. Foi-se o foco na luta pela habitação, saúde e educação, assim como outros bens públicos. Não apresentamos soluções, nem lutamos por ela, somente a critica fácil.

O desastre que se previa, está cada vez mais perto, senão já não estará por cá implementado. 

Os políticos e os partidos de esquerda, mais uma vez, esquecem-se das suas funções que seria defender o bem público.



sábado, 19 de julho de 2025

A opção da esquerda

 

Gostava de ver a esquerda a determinar a sua própria agenda de intervenção. A direita anda á meses a colocar os imigrantes e a nacionalidade no centro de debate político e a esquerda ai atrás. O governo lança um suplemento para os pensionistas e a esquerda vai atrás e contesta. E assim, vamos passando o tempo do discurso e intervenção política nacional.

Deixem lá o psd e o cds a dar prémios aos pensionistas, para que eles se lembrem no dia de voto e tranquem o discurso a defender a habitação, como um bem público. Pelo menos quando temos uma crise destas na habitação exijam que o governo controle o setor da habitação, com tetos a rendas e vendas. Exprimir todos os dias que a habitação é um bem público, não pode estar sujeito à especulação. A opção é entre termos gente a não fazer nada, somente vive à conta da especulação imobiliária e entre ter pessoas que trabalham e não conseguem um teto para morar. A opção é ter um negócio a florir com uma evolução incrível, criando uma crise sem precedentes no sector e o estado intervir como está previsto na constituição. Não mexendo no negócio, temos a consequência do falhanço do estado e instituições públicas (autarquias entre outras), sendo a única solução optar por demolir barracas e mandar pessoas para a rua, literalmente ou deixar construir bairros enormes de barracas.

Vemos a hipocrisia dos políticos fracos e incompetentes e comentadores a afirmar que este assunto é de difícil solução, só porque nem se lembram que podem e devem intervir neste negócio especulativo que serve, mais uma vez, uma minoria.

Os políticos mais uma vez, esquecem-se das suas funções que seria defender o bem público.

sexta-feira, 13 de junho de 2025

NÃO SEI SE ESTOU TRISTE ou ANGUSTIADO, será refluxo...

 

Que nível de fazer política é esta!?

Já há muito tempo que as campanhas políticas são fracas, pouco objetivas e apalhaçadas. Este pessoal não se cansa de falar com as comunidades de um modo infantil. A estupidificação do povo é uma boa arma.

Fala-se das caraterísticas pessoais dos candidatos nos programas de entretimento. Os candidatos percorrem as terras sem darem voz ao candidato que as representa: é sempre, sempre o grande líder do partido que profere frases soltas, slogans com os ditos em serviço de figurantes abanam com a cabeça. Isto abrange todos os partidos. O método é transversal. 

Por aqui, temos um porta-voz transformado em líder. Um processo que vem em crescimento. Ainda não percebi se é o próprio que adora o bajulamento ou se são os seguidistas que se aproveitam das suas inquestionáveis capacidades intelectuais. O Livre, um processo político perdido em que podia e devia ser um partido formador e com forte pendor para ser um partido do e para o povo. As bancas Livres, a renovação dos núcleos e círculos em função de assembleias de cidadãos: sempre fomentando o debate político democrático e as consequências das ações que dai resultam. Que diferente seria. É (ou era) urgente inverter o foco neste partido. Não tem sentido nenhum em ter o centro de todo o movimento politico no grupo parlamentar. Direcionar o foco no que interessa, são as pessoas nas comunidades, nas freguesias e concelhos deste pais. Colocar os NT's, os CT's e a assembleia do Livre ao serviço deste desígnio. Ouvir os seus problemas e reagir em sua função.

Pessoalmente, para quem tiver paciência, deixo a acusação (anexo1) que me fizeram em Leiria e a minha resposta (anexo2). Não vou esperar pelo parecer do CJ, não vai haver nunca. Estava curioso para ver esse parecer! Terei então de afirmar que nem pensem que deixo que me façam juizos de valor, por quem não me conhece. Quando falta o argumento, quando não existe um pingo de dignidade na ação política, avançamos para o ataque pessoal: bonita escola de ambiciosos seguidistas.

Reafirmo o que foi sempre e somente o meu objetivo quando entrei no partido: ser um cidadão que queria experienciar a vida interna de um partido. Lembro-me do primeiro plenário em Leiria, onde nos encontramos num café, pensando eu que era o ponto de encontro, mas afinal era o plenário, mesmo! De chorar… quando a Isabel Faria nos pediu para falarmos baixo porque era 'chato' estarmos a fazer um plenário num café… Bons tempos! Pelo menos havia plenários, não que estivessem organizados ou tivessem um mínimo de objetividade, mas havia plenários. E é este núcleo dado como exemplo de um trabalho meritório.

Logo nesse plenário fiz questão de me apresentar: proposta para procurar uma sede em Leiria! as reações foram deliciosas. Se tivessem um mínimo de interesse por quem chega de novo, deviam lembrar-se do que verdadeiramente proponha. Não houve grande insistência da minha parte, pois não seria com camaradas como a Inês, o Pedro ou a Isabel Faria ou o padrinho Filipe Honório que se realiza qualquer tipo de trabalho com as comunidades. 

Mas havia por lá, quem eu gostaria de ter trabalhado. Não será sempre assim nestes movimentos?




terça-feira, 3 de junho de 2025

Estão a chegar eleições, vamos para a rua... Sim, claro, mas para fazer/dizer o quê?

Contra o fascismo, é marchar… Contra as desigualdades e injustiças, é marchar… Contra a xenofobia, é marchar…  é marchar, é marchar! Vamos marchar para as redes sociais, combatamos o fascismo e a xenofobia…

Camaradas, para mim este tipo de combate não é suficiente, aliás digo que lhe falta a minha querida: consequência. Sim, denunciar os fascismos e injustiças que desembocam por estas nossas ruas é preciso. Mas fica a faltar, a alternativa. O Livre, o nosso Livre é um partido político, logo deve gerar alternativa. A alternativa que disponibilizamos aos nossos concidadãos. Sim, uma alternativa de gestão para os interesses comuns, o bem comum: saúde, educação, habitação …

Um partido com uma pequena representação parlamentar, o que pode fazer? Para mim, com as condições políticas que temos, devemos mostrar o que somos e o que queremos e como pretendemos fazer, de uma forma clara e consistente. 

Assim, a comunicação direta com as comunidades é crucial. Os NT's tornam-se essenciais para produzir este trabalho. Organizar assembleias de cidadãos por esses distritos de Portugal, não é tarefa complicada. Vamos ouvir, participar e debater sobre os verdadeiros problemas locais. Se conseguirmos, nessas assembleias, concluir sobre as melhores soluções, levemos a debate ao nosso CT´s correspondente. Se após debate no CT sair uma aprovação, sobre a proposta a seguir, levamos a Assembleia do Livre. Ao ser aprovado na nossa Assembleia, entregamos ao Grupo Parlamentar para o defender no plenário da assembleia da república. 

É deste modo simples, que vejo o trabalho de rua a ser consequente. É deste modo que identifico o verdadeiro desígnio dos nossos NT's. Foi com esta espectativa que fui ao primeiro encontro dos núcleos no Entroncamento.

Com a sinceridade que sempre vos habituei, sai do encontro dos núcleos, com o sentimento que nos afastamos de sermos um partido que representa uma alternativa a esta democracia tomada pelo descrédito das instituições e dos políticos. O NT de Leiria onde resido, foi identificado como um exemplo. Sei do que falo, devia ser um exemplo de como não se faz política.* Nada saiu deste encontro em termos de estratégia política, de clareza na ação. Banalidades e muito do politicamente correto. E foi isto que levou o pais politico a este marasmo. Não houve a divergência salutar que nos leva a soluções, não houve a discussão plural política necessária. Como se estivesse tudo a correr sobre rodas, como se não houvesse mais nada a fazer. Ainda tentei levantar o debate: _ Então, e o que dizemos às pessoas que nos dizem só nos ver nas eleições? a resposta do nosso moderador (pelo Tomás Pereira) foi vaga e banal. O ambiente era esse e não um ambiente de discussão e debate vivo e salutar. A conclusão é óbvia, nada saiu de concreto deste encontro. Quais as conclusões dos trabalhos? Quais as alterações aos desígnios dos núcleos? 

Não devemos ter medo de criticar, mas temos que ter a proposta, a solução para a fundamentar. Contruir implica este procedimento, fundamentar a critica. O seguidismo não nos leva a lado nenhum, a não ser ao descredito, por quem nos devia apoiar: o povo. Vive-se numa bolha desfasada da vida real.

Sim, aproximam-se eleições. Temos que ir para a rua. Se pretendermos ser consequentes, temos que saber como. 

A rua

O que vamos lá fazer ?? O que vamos lá dizer ??



* Desde março de 2022, quando cheguei ao partido como membro, que nunca vi nenhum evento fora dos concelhos da Marinha Grande (onde reside a Isabel Faria), ou das Caldas da Rainha (onde reside a Inês). Fora disto tivemos um evento em Peniche e outro em Leiria. (eventos feitos para dentro, nada de concreto saiu para benefício da comunidade, nem foi feita para a comunidade). Os restantes concelhos do distrito de leiria: Alcobaça, Alvaiázere, Ansião, Batalha, Bombarral, Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos, Nazaré, Óbidos, Pedrógão Grande, Pombal e Porto de Mós nunca tiveram qualquer presença do Livre. 

 Desde 2022 que apresento proposta de trabalho. Tanto em termos de organização interna, como eventos para comunicar diretamente com o o povo. 

Proponho que alguém se atreva a criticar este núcleo, perguntem pelos plenários que não se fazem? (e que são obrigatórios, por estatuto). Perguntem pelas avaliações dos eventos que se fazem? Avaliem o plano de actividades nas suas banalidades e disposições abstratas… Vão ter com toda a certeza o ataque do Filipe Honório como se tivessem a atacar a sua família ou a sua casa: "isto é nosso, ninguém mexe". Já deixei um repto aos M&A de Leiria para se disponibilizarem para constituir uma lista alternativa. Nem uma resposta, obtive - uma só resposta. O pessoal gosta de pertencer ao grupo, para tal apelamos para o politicamente correto, as frases banais, tal como as miss universo que querem a 'paz no mundo'. Nestes três anos não conheço qual é a orientação política da Inês, do Filipe Honório ou da Isabel Faria a não ser as banalidades e frases feitas com que pretendem que gostem deles e sejam aceitos de pleno - os seguidistas. Não há discussão política, a luta por uma causa. Pergunto-me se estou a ser um 'Bota Abaixo' com inveja dos outros serem bem aceites no partido? Não, nunca pretendi nas minhas ações coletivas defender causas pessoais. Sempre fui critico, com propostas alternativas, aqui neste partido e em todas as minhas participações em instituições coletivas. Sei quais as consequências, mas é a luta por causas públicas. Quando não tenho propostas, não critico. Seria a critica fácil. Considero sempre que este meu procedimento acrescenta, nunca diminui. Por ser alvo de acusações de carater, pelos camaradas mencionados, este texto revela uma 'vingança'? Sim, claro! mas com a diferença que não faço julgamentos de carater, mas sim a critica da intervenção política. E, neste campo e só no campo da intervenção politica estes camaradas agem politicamente conforme o que desprezo nos outros partidos do nosso sistema partidário. 

Temo que desista deste partido, com a tristeza de o ver caminhar para a sua desvalorização, em vez de elevarem a coragem de a combater. 



quarta-feira, 8 de janeiro de 2025

 O cidadão no espaço político 

Entrei no Livre no início de 2022 porque inserindo-me ideologicamente à esquerda, estava também convicto que os partidos devem ser um meio de representação efetiva do povo e portanto feitos pela população para a população. O Livre era essa esperança de partido aberto à sociedade com uma organização mais horizontal onde todos teriam voz.  

Escrevo este texto passado 2 anos com alguma frustração e constrangimento por essa ideia ter sido em parte defraudada. Talvez seja utópico construir um partido verdadeiramente aberto, mas gostava de falar sobre a minha experiência até aqui: 

Desde o primeiro plenário do meu núcleo territorial fiquei com uma impressão que me inquietou até hoje. Pensava que a missão dos núcleos era aproximarem o partido das pessoas e serem esses elementos de ligação com as angústias e problemas do cidadão comum, motivando o debate e criando espaço político junto da comunidade. Não só para levar a política às pessoas, mas sobretudo para trazer mais das pessoas à política.  

No entanto, encontrei um partido de elites intelectuais e os núcleos pareceram-me meros meios de promoção pessoal para quem ambicionava cargos partidários superiores. As atividades junto da comunidade foram escassas e feitas para dentro da bolha, parecendo existir mais empenho em publicitar o que se fez do que em fazer. 

Por esse motivo fiz várias propostas no sentido de aproximar os núcleos da população e apresentei-as em vários órgãos: no núcleo territorial, no círculo temático liberdade, ao GC e por fim numa moção no último congresso da Costa da Caparica. 

Estas propostas podiam ser inviáveis, irrealistas ou simplesmente parvas. O que me incomodou não foi não terem avançado, mas sim nunca as ter sequer conseguido discutir. Será que fui eu que não consegui gerar entusiasmo suficiente ou que o partido em geral não tem grande interesse neste tema?  

Penso por outro lado que se o partido internamente não se revelou ser tão aberto como se esperaria, qual é a probabilidade de conseguir estar abertos à sociedade que nos rodeia? E então em que é que nos diferenciamos de outros partidos? 

Eu tenho 62 anos, tenho 12°ano, sempre trabalhei como vendedor de peixe fresco e moro numa aldeia no interior. Não me interessa seguir nenhuma carreira política, nem me interessam quaisquer cargos partidários.  Estou na política meramente pela ideia de criar uma sociedade mais justa e solidária e pela fé na construção de uma democracia que seja feita por todos.  

Ora se neste partido acabo por constatar que a maioria da atividade é uma luta patética por cargos e que o verdadeiro debate se faz num grupo fechado, o que é que pessoas como eu estão a fazer aqui? Não parece haver trabalho político concreto em que possa ser útil, quando proponho novas atividades sou ignorado, quando crítico formas de organização as pessoas sentem-se individualmente ameaçadas. Não consigo suscitar debate efetivo, dialogar sobre ideias ou criar espaços de ação.  É um problema meu ou é um problema nosso? 

A verdade é que já não digo nada quando no café da minha aldeia ouço a tal frase ‘os políticos são todos iguais, andam todos ao mesmo’. Passo a ficar calado. A minha experiência no partido tem vindo a ser uma forma de depressa perder a inocência da luta progressista. 

Não vim para o partido à procura de amigos, embora já tenha feito alguns e bons e só por isso já valeu a pena, mas também não procuro fazer inimigos (pelo menos intencionalmente), pelo que esta publicação não pretende ofender ou denegrir ninguém. Esta partilha vem da profunda frustração que sinto e procura apenas suscitar reflexão e debate. 


Saudações LIVRE's


 

Opção da esquerda III

 Para quando um discurso claro da esquerda? O governo tem a incumbência da gestão do bem público, do bem comum: saúde, educação, habitação… ...